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RESGATE DA BIODIVERSIDADEBrasilDelmiro Gouveia

Renascimento botânico: Expedição científica redescobre em Minas Gerais espécies de plantas que não eram vistas há décadas

Ações de campo no Quadrilátero Ferrífero resgatam vegetações raras da família das "sempre-vivas", consideradas potencialmente extintas pela comunidade acadêmica

Por Redação

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Ações de campo no Quadrilátero Ferrífero resgatam vegetações raras da família das "sempre-vivas", consideradas potencialmente extintas pela comunidade acadêmica
Ações de campo no Quadrilátero Ferrífero resgatam vegetações raras da família das "sempre-vivas", consideradas potencialmente extintas pela comunidade acadêmica · Crédito: © Matheus Zaza/Video Delivery

Uma expedição científica dedicada à conservação da flora brasileira registrou um feito histórico para o meio ambiente. Pesquisadores e botânicos reencontraram na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, espécimes raros e endêmicos de plantas que estavam sem qualquer registro na natureza há mais de 30 anos e que já eram tidos como potencialmente extintos pela literatura acadêmica.

As buscas foram lideradas por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com instituições científicas e projetos da Rede Propagar. As expedições focaram em áreas preservadas sobre solo ferruginoso (canga) — formações rochosas exclusivas do terreno mineiro marcadas pelo sol forte, escassez de água e nutrientes restritos.

Tesouros do solo ferruginoso

Entre os principais achados da expedição destacam-se exemplares das espécies Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena. Popularmente associadas às "sempre-vivas" ou "chuveirinhos", essas vegetações chamam a atenção pela peculiaridade de manter a cor e o aspecto de vivas mesmo após a flor secar.

Essas espécies possuem uma capacidade impressionante de adaptação ao estresse hídrico e às variações extremas de temperatura. Por serem plantas endêmicas — ou seja, que não existem em nenhuma outra parte do planeta —, a redescoberta garante a manutenção da cadeia ecológica e abre portas para estudos científicos avançados.

Do campo ao laboratório: o plano para evitar novo sumiço

Com o reencontro dos exemplares na natureza, o trabalho dos cientistas ganha uma nova etapa. Amostras do material genético coletado foram levadas para laboratórios especializados com o objetivo de mapear a genômica das plantas e desenvolver técnicas eficazes de reprodução e biotecnologia.

A meta final das equipes é cultivar mudas dessas espécies em ambiente controlado para, futuramente, reintroduzi-las em maior escala na vegetação nativa. O projeto demonstra a importância das unidades de conservação e da pesquisa ativa no combate ao impacto do desmatamento e das mudanças climáticas na flora nacional.