POLÍCIA E SAÚDECidadeDelmiro Gouveia

Veneno em 'garrafada': Perícia descarta contaminação de fábrica e prova que agrotóxico foi adicionado artesanalmente em Pariconha

Laudo final da Polícia Científica aponta que inseticida Metomil estava apenas no recipiente PET; substância causou uma morte e deixou seis pessoas hospitalizadas

Por Redação

Laudo final da Polícia Científica aponta que inseticida Metomil estava apenas no recipiente PET; substância causou uma morte e deixou seis pessoas hospitalizadas
Laudo final da Polícia Científica aponta que inseticida Metomil estava apenas no recipiente PET; substância causou uma morte e deixou seis pessoas hospitalizadas

O Laboratório de Química e Toxicologia Forense da Polícia Científica de Alagoas concluiu, nesta quarta-feira (12), as análises laboratoriais cruciais sobre o episódio de intoxicação coletiva que chocaram o município de Pariconha, no Sertão alagoano. Os exames periciais confirmaram de forma categórica a presença de Metomil — um potente e perigoso inseticida de uso agrícola — em três das amostras analisadas.

De acordo com o chefe da unidade de Química do órgão, o perito criminal Thalmanny Goulart, os peritos analisaram duas garrafas lacradas de cachaça industrial de uma mesma marca comercial e uma garrafa PET com uma mistura artesanal (conhecida regionalmente como "garrafada" ou "raizada"). As apurações apontavam que a cachaça havia sido usada como base para a bebida caseira

O laudo técnico descartou qualquer contaminação nas indústrias de bebidas: a presença do agrotóxico foi detectada exclusivamente na mistura preparada na garrafa PET. "Nas duas garrafas de cachaça originais não foi detectada a presença do agrotóxico", esclareceu o perito. Além disso, os exames toxicológicos de sangue dos sobreviventes e da vítima fatal atestaram a presença exata do mesmo inseticida no organismo dos atingidos.

Relembre o caso

O caso ocorreu durante a feira livre de Pariconha, quando sete homens passaram mal simultaneamente após consumirem a bebida alcoólica artesanal. As vítimas apresentaram um quadro agudo de envenenamento e foram socorridas às pressas para o Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia.

O agricultor Gilberto Alves Vicente, de 36 anos, não resistiu à gravidade do envenenamento e veio a óbito. Os outros seis envolvidos precisaram de internação hospitalar e tratamento intensivo antes de receberem alta médica.

O perigo do Metomil

O Metomil é um defensivo agrícola altamente tóxico e classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como extremamente perigoso. A substância ataca diretamente o sistema nervoso central e causa náuseas, tremores, insuficiência respiratória grave e parada cardíaca.

Com a conclusão do laudo pericial, a Polícia Civil de Alagoas avança nas investigações para identificar quem introduziu o inseticida na bebida e esclarecer se o envenenamento foi provocado de forma culposa ou dolosa.